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23 de out de 2017 , 19h26

Ganhar produtividade é hoje o maior desafio do Brasil.

Ganhar produtividade depende de melhorar a qualidade da educação, elevar os investimentos, ampliar as inovações e ganhar eficiência com reformas para reduzir custos e incertezas. (Juca Varella/Folhapress)

Dependemos, para tanto, de melhorar a qualidade da educação, elevar os investimentos, inovar e aprovar as reforma trabalhista e tributária.

Há quem acredite que o crescimento da economia brasileira depende de uma combinação de juros baixos e câmbio alto. A tese foi posta em prática no governo Dilma com a infeliz Nova Matriz Econômica. Os resultados foram desastrosos, mas a ideia volta e meia aparece. Agora, faz parte do ideário de um dos pré-candidatos à presidência da República.

A experiência mostra que a fonte por excelência do crescimento é a produtividade. Os países mais bem-sucedidos foram aqueles capazes de construir instituições e adotar políticas públicas indutoras de ganhos de produtividade. Mais de 80% do crescimento da economia americana no pós-guerra são explicados por ganhos de produtividade.

No Brasil, o agronegócio deve seu êxito aos ganhos de produtividade. Eles explicam 92,2% de seu crescimento entre 1975 e 2014, segundo artigo de Ignez Vidigal Lopes, Mauro de Resende Lopes e Daniela de Paiva Rocha na coletânea “Anatomia da produtividade no Brasil”, organizada por Regis Bonelli, Fernando Veloso e Armando Castelar Pinheiro (Editora Elsevier, 2017).

A queda de nosso ritmo de crescimento a partir dos anos 1980 se deve ao arrefecimento dos ganhos de produtividade. Segundo a mesma coletânea, nas décadas de 50, 60 e 70, a produtividade cresceu em média 4,6% ano e despencou para apenas 0,6% nas três décadas seguintes. Atualmente, ganhos de produtividade ocorrem quase que tão somente no agronegócio. A indústria tem sofrido perdas.

O aumento do potencial da economia brasileira depende essencialmente da expansão da taxa de investimento e dos ganhos de produtividade. A incorporação de mão-de-obra pode ajudar, mas as mudanças demográficas lhes retiraram o caráter de componente relevante. E nos próximos anos, será difícil ampliar a taxa de investimento, dos magros 16% do PIB para os desejáveis 20% a 25%.

Por isso, a produtividade será a chave de um novo ciclo de crescimento. A recuperação em curso na economia, depois do desastre das gestões petistas, decorre da ocupação da capacidade ociosa, que vai se esgotar nos próximos anos.

Ganhar produtividade depende de melhorar a qualidade da educação, elevar os investimentos (sobretudo em infraestrutura), ampliar as inovações (o que exige avanços institucionais) e ganhar eficiência com reformas para reduzir custos e incertezas. Dentre estas sobressaem a continuidade de modernização da arcaica legislação trabalhista e a construção de um sistema tributário eficiente e justo, deixando para trás o caos atual.

Resolver o problema fiscal e evitar um encontro fatal com a insolvência do setor público será a tarefa mais premente do próximo governo, mas atacar as causas que nos têm tornado um país de baixo crescimento é o maior desafio. Disso dependerá o aumento do potencial de crescimento e a redução da ainda gritante situação de pobreza e desigualdade.

(Blog da Veja, 23 de out 2017)

 

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