BLOG

2 de out de 2018 , 16h09

Bolsonaro volta às origens estatistas

A trajetória política de Jair Bolsonaro, em seus sete mandatos de deputado federal, se caracterizou por posições corporativistas e estatistas. Ele se negou a apoiar praticamente todas as iniciativas de desestatização ou de redução do intervencionismo estatal. Votou também contra o Plano Real. Defendeu medidas salariais em favor de grupos militares.

Apesar disso, o ex-capitão conquistou o apoio de empresários e do mercado financeiro, onde se situa, paradoxalmente, o maior apoio a medidas contrárias às defendidas por Bolsonaro. A conversão se deu por uma mistura de antipetismo (com sobradas razões) e da ingênua crença de que um ministro da Fazenda pode governar o país ou pelo menos deter os ímpetos estatizantes do presidenciável, se este ganhar as próximas eleições.

Embalado nessa narrativa, o mercado se entusiasmou com as entrevistas do guru de Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, de inequívocas credenciais ultraliberais. Guedes prometeu levantar um trilhão de reais com a venda das estatais brasileiras, incluindo a Petrobras e o Banco do Brasil. Embora não tenha explicitado como chegou a essa cifra, o economista concluiu que isso seria suficiente para reduzir substancialmente a dívida pública e possibilitar uma redução das elevadas taxas de juros praticadas no Brasil.

Agora, na reta final da campanha e provavelmente temendo os efeitos eleitorais do ultraliberalismo de Guedes, o presidenciável decidiu voltar às origens. Em um vídeo divulgado ontem, o ex-capitão deixou claro que não concorda com o ímpeto privatizante de seu economista. Recorreu à surrada e equivocada definição de “estratégico” para assegurar que seu governo não privatizará a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e a Eletrobrás.


A menos que corra o risco de cometer um estelionato eleitoral, essa será a tônica dominante no governo de Bolsonaro, caso seja eleito. Isso significa que o castelo de Paulo Guedes desmoronou. Excluídas as estatais “estratégicas”, restará um número de empresas sem maior significado econômico, menos ainda como fonte de arrecadação, caso vendidas ao setor privado.

Essa mudança radical indica o potencial de conflito entre as fortes visões pró mercado de Paulo Guedes e a visão ideológica de Bolsonaro, francamente contrária à desestatização e mais em linha com o PT e o velho corporativismo brasileiro.

A trajetória política de Jair Bolsonaro, em seus sete mandatos de deputado federal, se caracterizou por posições corporativistas e estatistas. Ele se negou a apoiar praticamente todas as iniciativas de desestatização ou de redução do intervencionismo estatal. Votou também contra o Plano Real. Defendeu medidas salariais em favor de grupos militares.

Apesar disso, o ex-capitão conquistou o apoio de empresários e do mercado financeiro, onde se situa, paradoxalmente, o maior apoio a medidas contrárias às defendidas por Bolsonaro. A conversão se deu por uma mistura de antipetismo (com sobradas razões) e da ingênua crença de que um ministro da Fazenda pode governar o país ou pelo menos deter os ímpetos estatizantes do presidenciável, se este ganhar as próximas eleições.

Embalado nessa narrativa, o mercado se entusiasmou com as entrevistas do guru de Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, de inequívocas credenciais ultraliberais. Guedes prometeu levantar um trilhão de reais com a venda das estatais brasileiras, incluindo a Petrobras e o Banco do Brasil. Embora não tenha explicitado como chegou a essa cifra, o economista concluiu que isso seria suficiente para reduzir substancialmente a dívida pública e possibilitar uma redução das elevadas taxas de juros praticadas no Brasil.

Agora, na reta final da campanha e provavelmente temendo os efeitos eleitorais do ultraliberalismo de Guedes, o presidenciável decidiu voltar às origens. Em um vídeo divulgado ontem, o ex-capitão deixou claro que não concorda com o ímpeto privatizante de seu economista. Recorreu à surrada e equivocada definição de “estratégico” para assegurar que seu governo não privatizará a Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e a Eletrobrás.

A menos que corra o risco de cometer um estelionato eleitoral, essa será a tônica dominante no governo de Bolsonaro, caso seja eleito. Isso significa que o castelo de Paulo Guedes desmoronou. Excluídas as estatais “estratégicas”, restará um número de empresas sem maior significado econômico, menos ainda como fonte de arrecadação, caso vendidas ao setor privado.

Essa mudança radical indica o potencial de conflito entre as fortes visões pró mercado de Paulo Guedes e a visão ideológica de Bolsonaro, francamente contrária à desestatização e mais em linha com o PT e o velho corporativismo brasileiro.

← Voltar